Propósito, o time conhece e se identifica com ele?

Propósito, o time conhece e se identifica com ele?

O propósito tem sido apontado como um dos principais motivos para um  grupo de pessoas unir-se fortemente para atingir um objetivo em comum. A literatura mais relevante que tem surgido sobre novas formas de gestão e liderança está ancorada no propósito. Com base nisto trago a tona dois questionamentos:

  • Todos os integrantes do seu time conhecem claramente seu  propósito?
  • O propósito definido para o time está realmente de acordo com as crenças e aspirações do time? ou é algo externo que foi atribuído a ele?

O time conhece claramente seu propósito?

Gosto muito de utilizar minhas experiências profissionais como inspiração dos meus artigos e o que vem trago a seguir são relatos de vivências.

Me deparei com um time passando por uma etapa clássica de Storming. Como não poderia ser diferente o time está enfrentando alguns desafios típicos desse estado. Lá pelas tantas, o time é questionado sobre qual é seu  propósito. Os integrantes se olharam e aos poucos foi surgindo que o propósito do time havia sido definido durante o Team Building realizado poucos meses atrás. Surgiu uma pequena discussão se o propósito ainda era válido devido a uma definição de escopo de negócio.

Pois bem, a primeira pergunta já estava respondida.

 Pergunta: Todos os integrantes do seu time conhecem claramente seu propósito?

 Constatação: A resposta é mais ou menos. O time parcialmente lembrava do propósito definido no Team Building e além disso não possuía plena convicção de que isso era válido até o momento.

O time acredita e se identifica com o seu propósito?

No final da resposta da primeira pergunta existe uma constatação que me chamou muito a atenção. O time tinha a dúvida se propósito ainda era válido devido a uma definição escopo de negócio. Nesse ponto uma constatação veio à tona, esse não é o propósito do time, é o escopo de negócio definido para sua atuação.

Uma vez que o propósito não é algo alinhado com as crenças, os anseios e não fazem parte da identidade do time, naturalmente ele não estará alinhado aos seus motivadores intrínsecos desse. Podem estar coesos, motivados e performando bem, mas certamente não será pela definição de um propósito que não é realmente o seu.

Facilitando um time a definir seu propósito

Existem diversas formas de facilitar um time a identificar o seu propósito, e de forma alguma quero ser prescritivo com relação a isso. Nesse momento aspiro compartilhar um modelo que utilizamos e que foi de grande valia. A identificação do nosso propósito foi realmente importante em momentos que o time precisava realizar decisões complexas. Nesses momentos muitas vezes algum membro da equipe relembrava nosso propósito e havia coesão ajudando a definição do assunto.

Na dinâmica realizada utilizei duas ferramentas extremamente conhecidas Moving Motivators e Elevator Pitch, segue como foi a condução da dinâmica.

Identificando os motivadores internos dos indivíduos e do time

Em primeiro lugar, buscando distanciar-se da definição das obrigações e escopo do time frente à empresa, rodamos a técnica de Moving Motivators individual e coletiva. Existem dois artigos que relatam muito bem essa técnica, cada um com suas peculiaridades um é da Agilebox e um da K21. Vou listá-los abaixo para não ser repetitivo.
a. Utilizando Moving Motivators nas Reuniões de Retrospectiva
b. Retrospectiva com Management 3.0: Moving Motivators

O resultado dessa dinâmica conforme ilustrado acima apontou para um time claramente curioso e em busca da maestria, meta, relacionamento e honra. Time que desejava manter-se como referência em inovação tecnológica para a empresa. Bingo, agora estávamos preparados para a segunda etapa.

Definir a identidade do time baseado nos motivadores intrínsecos do time

Agora bastava rodar o Elevator Pitch, levemente adaptado para buscar foco máximo no propósito. Para reforçar esta técnica, convidei o todos a escreverem o Elevator baseado no que foi levantado anteriormente.

E quer saber!!! Funcionou muito bem o time abstraiu totalmente as questões ligadas a negócio e identificou o propósito que estava alinhado à crenças, anseios, convicções e motivadores intrísicos do time. Segue:

Para atender as demandas de desenvolvimento de produto da área XPTO da empresa XPTO
Que tem a necessidade de entregas freqüentes de produtos com algo valor agregado
O time XPTO
É um time ágil de desenvolvimento de software
Que tem o propósito de liderar a companhia na adoção de inovação e novas tecnologias para entregar com freqüência produtos com cada vez mais valor agregado ao nosso cliente final.

* Nesse caso, extraímos a declaração de concorrência pois não faz sentido nesse contexto e trocamos a última sentença por “que tem o propósito de”.

O que aconteceu depois?

Logo após a construção colaborativa do propósito, algo muito curioso aconteceu. O time identificou-se profundamente com o mesmo. Rapidamente a equipe se tornou mais engajada e essa definição foi balizadora na tomada de decisões estratégicas com relação a novas tecnologias, novos processos, ações junto à companhia e formas de atuar. As decisões tomadas com base no propósito garantiram um time muito coeso, feliz, motivado e engajado.

Confesso que naquele momento não conseguia sugerir o que estava ocorrendo. Como uma dinâmica tão pontual poderia gerar tamanho impacto? Entretanto, recentemente me deparei com o livro Motivação 3.0 (Drive) de Daniel H. Pink e tudo começou a fazer sentido. O autor defende que a verdadeira motivação está baseada nos três elementos abaixo:

Autonomia: desejo de ter as “rédeas” da sua própria vida/atuação/trabalho nas mãos.

Excelência: desejo de ser melhor naquilo em que fazemos.

Propósito: necessidade de direcionar nossas ações em beneficio de algo superior a nós.

Refletindo sobre o time, constatei que ele já possuía grande autonomia. Analisando o resultado dos Moving Motivators percebi o grande anseio pela excelência. Como os dois primeiros elementos da motivação 3.0 já eram parte do dia a dia da equipe, bastou alinhar propósito para ver na pratica os efeitos da motivação 3.0.    O que achou desta experiência? Já passou por situação similar? Compartilhe e vamos falar sobre o assunto.

 

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