Lean Start Up – Hipóteses versus experimentação – Genchi Gembutsu

A maturidade na aplicação dos métodos ágeis, principalmente no mercado de TI, consolidou um status quo que dita o seguinte padrão.

“Meu time realiza entregas frequentes, em um curto espaço de tempo, as quais representam grande valor agregado para o nosso produto. Planejamos nosso desenvolvimento baseado na priorização das histórias de usuários realizada pelo nosso Product Owner (PO). A identificação de valor das histórias é realizada pelo PO através dos seus contatos com os Stakeholders.”

A popularização dos métodos ágeis no mercado de TI tratou-se de uma revolução. O mercado que era dominado por metodologias de desenvolvimento rígidas, burocráticas e que muitas vezes direcionavam projetos ao fracasso, se transformou e os valores ligados a colaboração, interação e flexibilidade de resposta a mudança fizeram com que a engenharia de desenvolvimento de software tenha atingido uma eficiência surpreendente.

Praticamente todos os  métodos ou frameworks de desenvolvimento de software ágil bebeu na fonte do Lean Manufactoring entre eles Scrum, XP, Lean Kanban e Lean Software Development. E todos eles elevaram com grande maestria a eficiência dos times de desenvolvimento de software. Entretanto o estrondoso sucesso alcançado pela Toyota que levou a marca a tornar-se a maior fabricante do mundo, superando as gigantes empresas americanas não é atribuído apenas à eficiência superior e a qualidade total como muitos pensam. A eficácia exerce um papel fundamental nessa conquista.

Genchi Gembutsu

Jeffrey liker é um renomado autor sobre o modelo Toyota, ele possui mais de uma dezena de livros relacionados ao tema, um dos mais famosos é o “O Modelo Toyota – 14 Princípios de Gestão do Maior Fabricante do Mundo“. Um trecho desse livro exalta a importância da eficácia:

“Na Toyota, nas minhas entrevistas, quando perguntava a diferença entre o Toyota Way e as outras abordagens administrativas, a resposta mais comum era genchi gembutsu – quer eu estivesse na manufatura, no desenvolvimento de produtos, nas vendas, na distribuição, quer estivesse nos assuntos públicos. Você não pode ter certeza de entender qualquer parte de qualquer problema empresarial se não for e ver por si mesmo, de modo direto. Não se pode aceitar qualquer coisa como fato consumado ou se valer dos relatos dos outros.”
Jeffrey K. Liker, The Toyota Way (Nova York: McGraw Hill, 2003, p. 223).

Eric Ries apresenta o trecho do livro citado anteriormente no livro a Startup Enxuta quando começa a desenvolver a conceitualização do aprendizado validado. Ries Ilustra com maestria à questão apresentado o case do desenvolvimento do modelo 2004 da minivan Siena da Toyota. O mercado target desse projeto era os Estados Unidos, o engenheiro-chefe destacado para tal desafio possuía pouquíssima experiência acerca do mercado em questão. Comprometido com a filosofia Genchi Gembutsu Yuji Yokoya lançou um plano audacioso, para conhecer o mercado por si mesmo realizou uma longa viagem atravessando todos os cinquenta estados norte-americanos, todas as treze províncias canadenses e todas as regiões do México. Percorreu 85 mil quilômetros com o modelo corrente da Minivan do Siena, conduzindo o veículo, conversando com os clientes reais e observando eles.

A coleta de informações durante a execução do audacioso plano de Yuji Yokaya aferiu ao novo modelo do Siena diversas modificações, melhorias e adaptações. O resultado de mercado foi um grande sucesso, as vendas do modelo 2004 foram 60% maiores do que as de 2003.

 

Hipóteses versus experimentação

Trazendo para o prisma dos métodos ágeis, o modelo Toyota afirma que todos os membros do time são responsáveis por sair do prédio, quando necessário, para buscar conhecer o de perto o cliente e atender às suas necessidades. Cabe mais uma vez ao time entender se o Product Owner do nosso produto está comprometido com o Genchi Gembutsu ou se está em acomodado em seu ambiente de trabalho criando hipóteses e lançando prioridades baseadas nessas hipóteses abstendo-se de atingir o tão valioso aprendizado validado.

Nesse ponto trazendo para o Scrum o Definition of Done deve ser incremento em produção, sendo utilizado pelo cliente e o cliente passando o feedback totalmente positivo, do contrário deve-se pensar em pivotar ou melhorar tratar as críticas do cliente na próxima Sprint.

 

Evangelistas Ágeis Uni-vos

Cabe a todo evangelista agile cantar o mantra do cliente, foco no cliente acima de tudo. Utilizar o artefato de personas do Design Thinking já não é o suficiente, ao invés de personas precisamos realmente pessoas. Os silos internos já foram quebrados agora estamos em outro momento, devemos quebrar o silo que nos distancia do cliente, precisamos ir a campo, conversar com o cliente, apresentar o nosso produto, nosso MVP, MVL, MVW (Whatever). A partir disso criar aprendizado validado e transformar o mercado e o mundo.

Existem muitas iniciativas e práticas ágeis criadas nesse sentido, opções é o que não falta, sou fã de várias delas, iremos tratar no Agilebox de várias delas. Para deixar um suspense no ar seguem algumas das cenas dos próximos capítulos:

 

  • Modern Agile
  • Lean Business Analysis
  • Agile Inception
  • Design Sprint
  • Lean Start Up

Gostou do assunto? Saiba mais sobre Startup:

O que é uma Startup e Lean Startup

 

 

3 comentários em “Lean Start Up – Hipóteses versus experimentação – Genchi Gembutsu

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