Inovar É Preciso!

Estamos numa era de transição de conceitos, não somente no mundo corporativo, mas em todos os setores da sociedade. As “buzzwords”, ou palavras da moda, inundam nossas vidas como um tsunami.


Termos como “inovação”, “agilidade”, “startups”, “disrupção”, transitam freneticamente na internet, nas redes sociais e nas empresas, alterando definitivamente a forma como interagimos com o mercado e com o mundo.


Vivemos uma revolução tecnológica extraordinária. A abundância de ferramentas e tecnologias permitem que atividades, serviços e produtos sejam construídos e disponibilizados numa velocidade exponencial.

 

Nesse contexto, startups surgem como num passe de mágica e transformam-se num curto espaço de tempo em companhias bilionárias, redefinindo conceitos, reinventando mercados e atropelando concorrentes que anteriormente desfrutavam de seus mercados de forma soberana.

 

Grandes companhias mundialmente conhecidas deixaram de existir ou perderam totalmente seu protagonismo simplesmente porque foram engolidas pela inovação. Podemos citar inúmeros casos: Nokia, Atari, Blockbuster, Blackberry, mas talvez o caso mais emblemático seja o da gigante americana Kodak, cuja trajetória utilizarei como insumo para reflexão neste artigo.

 

Não Basta ser Gigante! É Preciso Inovar.

A Kodak dominava 80% do mercado de equipamentos fotográficos e 90% do mercado de bobinas de câmeras fotográficas até meados dos anos de 1990. Entretanto, alguns erros fundamentais levaram esta companhia centenária ao fracasso.

O primeiro erro, foi curiosamente a falta de planejamento para criação de produtos x estratégia de mercado. A Kodak foi precursora no desenvolvimento de câmeras digitais e mesmo que esta ideia fosse revolucionária e criativa para a época, a empresa decidiu equivocadamente “engavetar” o projeto. O receio de se “auto canibalizar” impediu que desse um grande salto tecnológico e estratégico. A justificativa estava fundamentada no fato de que sua maior receita advinha do desenvolvimento de bobinas filmes fotográficos. Caso lançasse ao mercado câmeras digitais, sentenciaria a produção e venda de refis de filmes ao fracasso. Extinguindo desta forma a principal receita da companhia.

Esta decisão cobraria seu preço duas décadas mais tarde.

O segundo erro, foi justamente o tempo de reação mediante seus concorrentes.
A Kodak perdeu o timing da inovação enquanto seus rivais Canon, Sony e Fuji abocanhavam cada vez mais o mercado. A mesma empresa que foi precursora em tecnologia fotográfica, não conseguiu reatividade para recuperar seu protagonismo, nem mesmo através de sua marca emblemática. Acabou por assistir concorrentes, na época com menor expressividade, tomarem espaço em seu segmento. Espaço este, que nunca mais conseguiria recuperar.

A empresa entrou em processo falimentar no ano de 2012 e esteve à beira de fechar suas portas. Atualmente continua operando no mercado fotográfico, tentando reestruturar-se e investindo numa nova linha de produtos, os smartphones Kodak.

 

O que este case nos deixa de legado é que a inovação deve estar alinhada a um planejamento estratégico eficiente. Tecnologia e boas ideias não são suficientes ou sinônimos de sucesso.

 

Uma Nova Geração de Gigantes

Nas últimas décadas sugiram startups que posteriormente se tornariam as novas gigantes mundiais em seus segmentos de mercado. A grande diferença é que estas empresas trazem a inovação e a disrupção em seu DNA. São estudadas como case de sucesso até os dias atuais.

Spotfy, Google, Amazon, Netflix, são alguns exemplos de companhias que criaram produtos inovadores e alteraram para sempre a formato de consumo no mundo. Abriram espaços de mercado que anteriormente eram inexplorados ou inexistentes.

Mas o que as torna empresas especiais?

 

Na verdade, não existe uma resposta direta para esta pergunta. Precisamos analisar um conjunto de fatores.

 

Digamos que já nasceram “do jeito certo” e este fator fez com que a inovação fosse algo natural, intrínseco e cultural dentro destas empresas. Não é necessário nenhum esforço, quebra de paradigmas, mudanças de mindset, de cultura ou processos.

 

Como startups, surgiram com a cultura da inovação, sem precisar quebrar regras ou mesmo “pensar fora da caixa”.

 

Aliás, que caixa?

 

E mais, startups possuem uma característica fundamental que vai muito além da liberdade de pensamento e da criatividade: Elas não tem medo de errar!

 

E esta característica faz toda a diferença, pois como não existe a obrigatoriedade do acerto, a liberdade torna-se um terreno fértil para que novas ideias aconteçam.

 

Nos ambientes startups, pessoas não vivem presas à convenções, requisitos ou políticas. Seus valores estão firmados no desenvolvimento humano através do conhecimento, da liberdade e criatividade. Estas variáveis balizadas pela prática e experimentação, permitem que seus colaboradores entreguem alto valor para suas companhias. Este é o grande diferencial de empresas disruptivas e inovadoras.

 

Podemos dizer que as palavras “pessoas”, “liberdade”, “criatividade” e “valor” contemplam os principais elementos da inovação.

 

Por fim, podemos nos perguntar: – Algum dia, alguma destas empresas poderão repetir os mesmos erros da gigante Kodak?  Talvez, mas em teoria será muito mais difícil porque seus pilares estão fixados sobre a melhoria contínua e estratégia de mercado.

 


O Desafio de Organizações Tradicionais para Inovar


PS: Nesta seção, denomino como tradicionais, empresas cuja cultura e estrutura não estão alinhadas aos conceitos de inovação e disrupção.

 

Já que startups via de regra trazem a inovação em seu DNA. Empresas tradicionais estão fadadas ao fracasso. Certo?


Errado!

Mesmo que empresas tradicionais não tragam em seu cerne a inovação, podem sem dúvida alguma tornar-se inovadoras. Entretanto, digamos que será necessário um esforço maior.

Empresas tradicionais necessitam empreender não somente tempo e dinheiro para mudança de cultura e processos, mas principalmente esforço para mudar o mindset de seus colaboradores. Este é o desafio, mudar o mindset. O problema está no fato de que nem sempre este timing é suficiente. O mercado não espera.

 

Lembro de uma frase marcante que li no artigo de Cezar Taurion (http://cio.com.br/opiniao/2017/10/13/nao-se-negocia-com-a-disrupcao/) onde ele diz: – Não se negocia com a disrupção.

 

Neste artigo, Taurion fala justamente o que uma startup pode fazer com seu negócio e com seu setor.  Alguns exemplos citados são o que os smartphones fizeram com a indústria da fotografia, o que o comércio eletrônico está fazendo com o varejo e o que as fintechs estão ameaçando fazer com os bancos.

Portanto, inovar é preciso!

 

E a resposta para a implementação desta mudança é categórica: Através de pessoas.

Pessoas são os agentes capazes desta transformação.

 

Mas é importante ressaltar que o fator humano não basta por si só. É necessário que um ecossistema seja preparado para que a inovação de fato seja implementada. E esta decisão deve acontecer top down.

 

Nada acontece se a alta gestão não comprar a ideia ou não enxergar o real valor que estas mudanças possam trazer.

 

É necessário que a teoria saia efetivamente do papel e principalmente seja entendida corretamente na empresa como um todo. Não é uma mudança rápida e simples. Inclusive, pode ser bastante dolorosa, caso a estrutura organizacional seja engessada.

Assisti um vídeo do Porta dos Fundos (https://www.youtube.com/watch?v=4mkMf0AET-s), cuja analogia achei fantástica. Ilustra exatamente como a maioria das empresas tratam temas inovadores internamente.

 

Fala-se muito, entretanto, pratica-se muito pouco. Ou pior, o entendimento dos colaboradores quanto à estratégia da empresa não é o mesmo da gestão.

 

Eis o grande desafio!

Outro fator de impossibilita a inovação está no excesso de controle. 


Em um dos trechos do livro “A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo”, Jeff Sutherland diz: – “…empresas que ainda insistem nas ideias já tentadas e malogradas de comando e controle e que tentam impor um nível rígido de previsibilidade estão simplesmente fadadas ao fracasso…”.

 

Esta é uma grande verdade. O controle mata a inovação. O medo das lideranças em perdê-lo é um dos grandes motivos que a impossibilitam.

 

Inovação deixou de ser uma utopia ou “modismo” para se transformar num fator de sobrevivência.

 

Muda-se ou morre!

 

O mundo está mudando a passos largos. Resta saber se você está disposto a mudar com ele. 

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2 comentários em “Inovar É Preciso!

  • Ótima leitura. O texto traz de forma clara o cenário tecnológico atual. E este cenário aponta para respostas rápidas, ideias variadas, evoluções constantes e consistentes. E para que estes pontos sejam atingidos, as pessoas precisam, cada vez mais, estarem conectadas, atuando em equipe, em sintonia com o que de fato o cliente quer comprar.

     

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